28 junho 2016

Diz estudo de caso em Évora: Alunos do 1º Ciclo dormem pouco

​Um estudo de caso numa escola do concelho de Évora sobre o sono das crianças a frequentarem o 1º Ciclo do Ensino Básico, realizado no âmbito de uma parceria entre a Universidade de Évora, Agrupamento de Centros de Saúde do Alentejo Central, Hospital Cuf Descobertas e a respetiva associação de pais, concluiu que os jovens estudantes não dormem o número de horas suficiente e que os encarregados de educação não têm essa perceção.

 

Este estudo, que teve como público-alvo 88 alunos com idades compreendidas entre os 6 e 11 anos, procurou avaliar o comportamento dos jovens e dos encarregados de educação perante o ato de dormir, já que a privação do sono contribui para vários problemas de saúde, nomeadamente emocionais e comportamentais, bem como para o insucesso escolar.

 

Nesta investigação, o grupo de trabalho avaliou os hábitos e os problemas do sono de um grupo de crianças do 1º ciclo e comparando-os a alguns resultados obtidos com outros estudos realizados em Portugal, em idades similares.

 

Assim, o estudo de caso desta escola do concelho de Évora concluiu que apesar de pouco reconhecido pelos pais, os problemas comportamentais do sono desta amostra são frequentes e têm consequências em termos de sonolência diurna, obesidade e insucesso escolar pelo que não podem ser negligenciados.

 

Após a aplicação do método de trabalho, por inquérito aos encarregados de educação (Maio de 2015), o mesmo revelou que duas crianças destacaram-se das restantes porque os seus problemas do sono são devidos à ansiedade e ao facto de apresentarem grande resistência em ir para a cama; que 22 crianças, para além da ansiedade e resistência, sofrem de sonolência diurna; 30 sofre de sonolência diurna e apenas 34 estão "sem problemas do sono".

 

Com base nos dados recolhidos, estas crianças dormem entre 8 a 12 horas por noite, sendo a média de 9 horas e 41 minutos e o desvio-padrão de 48 minutos. Apesar de 46,4% dormirem menos das 10 horas diárias recomendadas, apenas 6,3% dos pais "acha que o seu filho/filha tem algum problema com o sono". Verificou‐se que existe relação entre o número de horas de sono das crianças (relatadas pelos pais) e a perceção destes sobre se a criança dorme pouco.

 

A resistência da criança em ir para a cama e as​ parassónias (comportamentos peculiares que ocorrem durante o sono) influenciam negativamente o número de horas de sono das crianças. Contudo, não se verificou associação significativa do número de horas de sono com o sexo, com o horário de trabalho do encarregado de educação ser flexível ou não e com a entidade patronal possibilitar ou não horários adaptados aos da criança.


O sono das crianças do 1º ciclo: caso de estudo numa escola do concelho de Évora.pdf

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