24 julho 2019

DOCE D’ESCORCIONEIRA – Um século depois, Núcleo Museológico do Alto de São Bento recupera a “especialidade d’Evora”

A 2 de Setembro de 1921, o “Diário Régionalista Independente”, “O ALENTEJO”, publicita a venda, na merc​earia e confeitaria FRANCISCO SEVERINO GODINHO, em plena Rua 5 d’Outubro, do DOCE D’ESCORCIONEIRA, a “especialidade d’Evora”.

Posteriormente, aquele que no início do século chegou a ser um dos doces preferidos das crianças Alentejanas, fruto da mecanização da agricultura e consequente desaparecimento da planta (Scorzonera hispânica), caiu em desuso e desapareceu das mesas de Évora.

Em 2010, Ano Internacional da Biodiversidade, a Associação Slow Food Alentejo, no âmbito do projeto “Arca do Gosto”, realizou uma primeira tentativa de recuperar este produto através da sua integração num catálogo cujo objetivo passa por identificar, localizar, descrever e divulgar “sabores quase esquecidos de produtos ameaçados de extinção”. O “DOCE D’ESCORCIONEIRA” voltou nesse ano às mesas no âmbito da festa gastronómica “Rota dos Sabores Tradicionais”, no entanto o projeto não teve a continuidade desejada.

Esta ideia foi agora novamente recuperada, tendo as sementes de escorcioneira sido plantadas, as primeiras plantas colhidas e o doce produzido com sucesso no final de Junho de 2019.

Este é um primeiro passo no caminho de desenvolvimento de novas ações e projetos de salvaguarda deste produto tradicional e uma importante ação de defesa do património natural, gastronómico e cultural da região de Évora.