19 agosto 2016

Estreou ontem “Pó De Vir a Ser”, uma performance de Márcio Pereira e Helena Baronet

A partir da ideia de que para construir é preciso destruir, Márcio Pereira e Helena Baronet dão vida a “Pó de vir a Ser”

A partir da ideia de que para construir é preciso destruir, Márcio Pereira e Helena Baronet dão vida a "Pó de vir a Ser", performance estreada ontem, dia 18, no Departamento de Escultura em Pedra, localizado nas instalações do antigo matadouro municipal. Para quem a perdeu, terá oportunidade de assistir ainda hoje, dia 19, e amanhã, dia20, sempre pelas 22h.

O espetáculo​ usa como palco um espaço que, ao longo do tempo, se foi transformando: outrora um matadouro animal, hoje é uma casa, ao ar livre, de diferentes peças de escultura em pedra. Evidencia-se, assim, a necessidade de apagar algo para que o novo possa surgir e como o passado fica apenas como lembrança.

Nesta performance, onde elementos sonoros, luzes e cenas estão presentes, os artistas percorrem o tempo entre o nascer de entre o pó para aí mesmo se acabar. Sob um foco, na entrada do edifício vê-se surgir da poeira a criação. Levam-se os espectadores pelo armazém, com o céu negro enquanto teto, e ali se ergue um corpo do pó, que descobre aos poucos a solidez.

Num pas-de-deux intimista, os dois corpos se ligam e entrelaçam, vida com vida. A água cai como chuva sobre ambos, que num ritmo incessante se abraçam, largam, dançam e correm. As esculturas em redor ganham vida por instantes, a coreografia chama-as ao presente.

Por fim (ou início), o pó escorre quase como lama, levando consigo o tempo. E com o tempo fica o novo nesse lugar, deixando o velho somente na memória e fazendo-o retornar ao pó. "Tudo pó de vir a ser. O que for, É"