17 abril 2015

Inaugurada no Convento dos Remédios: Exposição YÁBURA, Uma cidade do Al-Andalus é primeiro passo para a criação de um Museu Polinucleado em Évora

Yábura é nome pelo qual se conheceu Évora entre os séculos VII a XII, tendo sido então descrita como cidade grande do al-Andalus.

​"YÁBURA, Uma cidade do Al-Andalus" é o título da exposição que a Câmara Municipal de Évora inaugurou, ontem, dia 15, no Convento dos Remédios, e que corresponde ao encerramento de um longo percurso de inventariação, tratamento e estudo de materiais arqueológicos provenientes de várias escavações realizadas no Centro Histórico de Évora, testemunhos da ocupação islâmica.

Yábura é nome pelo qual se conheceu Évora entre os séculos VII a XII, tendo sido então descrita como cidade grande do al-Andalus.

Fernando Branco, professor da Universidade de Évora e Comissário Científico da Exposição, destaca que esta exposição dá a conhecer "500 anos da história de Évora que estão um pouco escondidos ou esquecidos" pelo facto de o período islâmico não corresponder ao período considerado áureo da cidade e, por outro lado, "ao desaparecimento de muitos dos edifícios dessa época após a integração na coroa portuguesa."

Nesta mostra estão expostos diversos vestígios materiais da ocupação islâmica, desde as formas mais simples e incaracterísticas dos primeiros séculos, até às produções ornamentadas em corda seca ou ao estampilhado do período almorávida e almóada. No espólio cerâmico destacam-se os artefactos ornamentados com vidrado em "verde manganês", em que se inclui um excecional conjunto com motivos antropomórficos, sendo o mais significativo do nosso país. As peças em exposição evidenciam a revitalização urbana e fortalecimento da rede comercial entre Évora e as diversas regiões do Andalus, nomeadamente a região de Córdova.

Cláudio Torres, Arqueólogo do Campo Arqueológico de Mértola, sublinha que "Em Évora ainda nunca se tinha tratado de qualquer aspeto da civilização muçulmana", em grande parte devido às condicionantes históricas atuais. "A civilização Islâmica foi fundamental para a nossa própria existência, hoje e toda a História da Europa foi feita à custa do Islão, sendo necessário estabelecer uma ponte para compreender aquela cultura". Esta opinião é partilhada pelo Presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Pinto de Sá, que realça a importância desta exposição como forma "de revalorização da cidade enquanto Património da Humanidade e de nos reencontrarmos a nós próprios dentro de Évora, projetando-a para o futuro" mostrando, ao mesmo tempo, que esta "foi, ao longo dos séculos, não uma, mas várias cidades, e muitos de nós não temos noção dessa evolução, sendo que aqui está uma parte da História do mundo árabe."

Carlos Pinto de Sá aproveitou ainda para anunciar que esta exposição "se constitui como o primeiro passo para um projeto mais amplo, onde se inclui a criação de um museu polinucleado, com várias componentes físicas para mostrar a cidade a quem nos visita".

Esta exposição é também composta de diversos produtos multimédia, que através do recurso a tecnologia tridimensional, permitem a visualização do espaço urbano que coube à antiga cidade de Yábura. Após um exaustivo processo de recolha de informações arqueológicas e análises comparativas, foi concebida uma proposta modelar de organização dessa desaparecida camada de Évora, que agora é exibida sob a forma de visita virtual. A cerâmica exposta, também pode ser lida e apreendida enquanto experiência interativa.

A complementar a exposição, o público dispõe ainda de um programa de animação cultural, composto por conferências, visitas guiadas e mostras de diversas de expressões culturais islâmicas.

"YÁBURA, Uma cidade do Al-Andalus" conta com os apoios do CIDEHEUS, do Laboratório Hércules da Universidade de Évora, do Governo de Portugal/Secretário de Estado da Cultura/Direção Regional da Cultura do Alentejo, do Museu de Évora, do Museu Arqueológico Provincial de Badajoz, do Campo Arqueológico de Mértola, e da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo e o patrocínio do Turismo do Alentejo E.R.T.. A entrada é livre, estando patente ao público até 4 de Setembro, de segunda a sexta-feira, das 9:00 às 12:30 e das 14:00 às 17:30.