07 outubro 2015

“Livros com Vida” no Centro de Convívio Municipal: Vice-Presidente Élia Mira recordou Soeiro Pereira Gomes

O livro centra-se na miséria em que vivia um grupo de crianças de Alhandra nos anos 60 do Séc. XX.

​A obra-prima "Esteiros", do escritor neorrealista Soeiro Pereira Gomes, foi o livro escolhido pela Vice-Presidente da Câmara Municipal de Évora, Élia Mira, para a rúbrica "Livros com Vida" que periodicamente acontece no Centro de Convívio Municipal (Rua do Fragoso), em Évora, incluído no programa de animação deste equipamento social.  "Livros com Vida" é um espaço de leitura onde uma personalidade eborense é convidada a falar de um livro que a tenha marcado.

 

Élia Mira explicou que leu o livro aos nove anos de idade, oferecido pela mãe como prenda pelo êxito no exame da 4ª Classe. Mãe que, considerou mais adiante, lhe "incutiu o vício da leitura", algo pelo qual sente a maior gratidão. Apesar de ter lido, posteriormente, muitos outros livros, este continuou a ser uma das suas principais referências.

 

Recordou a dura realidade da Década de 60 do Séc. XX, em que muitas crianças eram forçadas a abandonar a escola, sem completar a 4ª Classe, e o quanto o livro é exímio em mostrar isso, focalizado no retratar do trabalho infantil.

 

Após fazer um contexto da época em que o livro foi escrito, a Vice-Presidente focou-se no seu conteúdo, evocando a vida de miséria em que sobreviviam os miúdos protagonistas de "Esteiros", o qual se passa em Alhandra. Aí, trabalhavam na recolha do barro dos canais do rio Tejo (os esteiros), para fabricarem telhas e tijolos a troco de um exíguo salário que os condenava à mendicidade.

 

Finda a apresentação do livro, seguiu-se um interessante debate em que os idosos questionaram tal realidade e evocaram também as suas infâncias. O excesso de atividades a que são atualmente submetidas muitas crianças, sem tempo livre para brincarem saudavelmente, foi ainda apontado pelos idosos, assim como os perigos associados o excesso de televisão e de internet. Uma utente do Centro partilhou também o conteúdo de um livro sobre colonialismo.

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