21 novembro 2017

Na sessão de abertura do ENEG 2017

Carlos Pinto Sá defendeu uma visão humanista na gestão da água que considere a “água com um bem social” que deve ter posse e gestão pública.

Carlos Pinto Sá defendeu uma visão humanista na gestão da água que considere a “água com um bem social” que deve ter posse e gestão pública. Contestou a visão neoliberal que quer transformar a água num negócio e, citando a ONU, sublinhou que a “água é um direito humano”.

O Presidente da Câmara Municipal de Évora afirmou que a dimensão planetária do problema da água, as alterações climáticas e a situação que, hoje, se vive em Portugal “remetem para a necessidade de uma nova abordagem e um novo paradigma para a gestão e uso da água”.

Carlos Pinto de Sá referiu que, apesar do Governo falar em descentralização, no sector da água, “onde correm muitos milhões de euros”, prossegue “um processo de recentralização, retirando competências e poderes aos Municípios.

“O Município de Évora reivindica o direito de exercer a sua autonomia constitucionalmente consagrada” exigiu o autarca, que uma vez mais reiterou a oposição da edilidade à criação de condições para a privatização dos sistemas de abastecimento de água e saneamento.

Carlos Pinto de Sá usava da palavra na sessão de abertura Encontro Nacional de Entidades Gestoras de Água e Saneamento – o ENEG 2017, que decorreu esta manhã no Teatro Garcia de Resende, e que foi presidida pelo Ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes.

Na sua intervenção, o autarca de Évora revelou ainda que o município de Évora está a “trabalhar para a reativação do Aqueduto da Água de Prata, cuja água chegou à Praça de Giraldo há 480 anos, e que poderá contribuir para um uso inteligente deste bem, cada vez mais escasso. Queremos que esta seja mais uma vertente que integre a candidatura de Évora a Capital Europeia da Cultura em 2027.

O ENEG 2017, uma iniciativa bienal da APDA – Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas, terá como tema central “As Oportunidades no setor da Água, os Grandes Desafios Atuais e as Alterações Climáticas”, um tema que ganha este ano uma dimensão especial, devido à situação de Seca Extrema e Severa que se vive em Portugal.

O evento terá, assim, um grande foco nos Riscos e Consequências das Alterações Climáticas sobre a gestão dos recursos hídricos e da indústria da água, destacando-se o papel determinante das Entidades Gestoras dos Serviços de Águas e Saneamento, no encontrar das estratégias necessárias para as definir e aplicar.

O ENEG 2017 é o ponto de encontro do Setor e da Indústria da Água, em Portugal, e a prova disso está nas mais de 170 comunicações técnicas que serão apresentadas durante os quatro dias do encontro, que decorrerá numa unidade hoteleira da cidade, as dezenas de oradores qualificados que participarão em palestras e mesas redondas, os quase 50 stands no espaço de exposição e as centenas de participantes que já se inscreveram no evento.