14 março 2016

Integrado no Dia Internacional da Mulher: Denunciado sofrimento das mulheres em territórios de guerra

"O dia 8 de Março não é o dia da flor para as mulheres, mas sim para levantar questões que nos preocupam", considerou Regina Marques na sua intervenção no debate da passada sexta feira à tarde, nos Paços do Município. Centrada na questão dos refugiados, esta dirigente nacional do MDM (Movimento Democrático das Mulheres), recordou que a Palestina é a terra que tem hoje mais refugiados no mundo.

"É ainda fundamental continuar a pensar nos refugiados do Sahara Ocidental (antiga colónia espanhola posteriormente invadida e ocupada ilegalmente por Marrocos) que lutam pela independência e autodeterminação", afirmou Regina Marques.

 

Este debate que teve lugar a 11 de março, nos Paços do Concelho, desenvolveu-se a partir de  "Testemunhos de mulheres em territórios de guerra – a questão das refugiadas", e integrou as comemorações do Dia Internacional da Mulher. Contou com várias participações, das quais se destaca a Presidente do Conselho Português para os Refugiados Maria Teresa Tito de Morais Mendes, a artista plástica Joana Villaverde (com residências artísticas na Palestina), a Vice-Presidente do Parlamento Pan-Africano e membro da União Nacional das Mulheres Saharauis, Suelma Beiruk, e o Presidente do Município de Évora, Carlos Pinto de Sá. A iniciativa foi moderada por Regina Marques, da Direção Nacional do Movimento Democrático das Mulheres (MDM), sendo apresentada por Joana Sofio, do MDM de Évora.

 

A adesão ao debate foi significativa. Ouviu-se, por exemplo o testemunho de duas alentejanas que estiveram há alguns anos nos territórios do Sahara Ocidental e falaram das experiências tidas e memórias que trouxeram, bem como da lição de dignidade e resistência daquele povo.

 

Teresa Tito de Morais abordou também o drama dos refugiados mundiais e assegurou que mais de metade destes são mulheres e crianças, apontando várias causas para o problema. Elucidou ainda sobre o trabalho  que está a ser desenvolvido por Portugal nesta matéria e da necessidade de se encontrar respostas descentralizadas em conjunto com o Poder Local.

 

A artista Joana Villaverde leu um texto sobre a sua experiência durante dois meses em Ramallah (Palestina) a trabalhar num projeto artístico. A pobreza e a falta de liberdade foram algumas das coisas que mais a tocaram, pretendendo com o seu trabalho testemunhar o que viu. Aqui pode conhecer melhor a arte de Joana Villaverde: http://www.joanavillaverde.com/animals-nightmare.html

 

Suelma Beiruk disse que o drama que os atuais refugiados estão a sentir hoje, a faz reviver o que aconteceu há 40 anos com o seu povo. Falou igualmente do sofrimento das mulheres, mesmo nos EUA e na Europa, onde a violência doméstica é significativa. Chamou a atenção para o sofrimento de todo o continente africano e para a importância de se seguir lutando afim de alterar tais realidades.

 

Salientou a ocupação e terror que Marrocos espalha entre o povo saharaui, tendo até construído um muro de norte a sul para os separar dos seus territórios que continuam vigiados por soldados marroquinos, e minados. Apesar disso,  os saharauis continuam a manter a esperança de um dia serem livres e voltarem a viver no seu território. Para saber mais sobre o trabalho das mulheres saharauis e sobre o drama que vivem pode consultar a página eletrónica http://www.mujeressaharauis.com

 

Mulheres e homens devem unir-se e lutar por uma sociedade mais justa em que se caminhe para a igualdade do género, defendeu o Presidente Carlos Pinto de Sá, considerando que continua a fazer pleno sentido o Dia Internacional da Mulher. "Da parte da Câmara procuramos acompanhar e dar apoio as todas inciativas que permitam de algum maneira chamar a atenção, sensibilizar e transformar esta sociedade", afirmou o autarca, apontando ainda que "a crise dos refugiados tem causas fundamentais e é resolvendo as causas que se resolvem os problemas".

 

O Presidente do Município de Évora reconheceu que as pessoas saem dos seus países porque condições absolutamente dramáticas de vida põem em causa a sua própria integridade e a União Europeia não está a dar as devidas respostas. Lamentou que "A União Europeia não tenha mais para oferecer do que o inqualificável acordo que foi estabelecido com a Turquia. É uma situação inaceitável que não resolve o problema dos refugiados", sublinhou o autarca. Afirmou ainda que prosseguirão, junto dos órgãos da União Europeia,  iniciativas promotoras de uma outra posição relativamente aos refugiados.

 

Carlos Pinto de Sá falou também de esforços que a autarquia de Évora está a desenvolver para encontrar algumas respostas, dentro das suas limitadas competências e possibilidades, e em conjunto com as restantes entidades nacionais, nomeadamente o Conselho Português para os Refugiados.

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