01 março 2016

No 30º aniversário da classificação Património Mundial: Évora herda espólio de João Cutileiro

A futura Casa/Atelier João Cutileiro será gerida pela Câmara Municipal, Universidade, de Évora e Direção Regional de Cultura do Alentejo.

​No ano em que se assinala o trigésimo aniversário da classificação do centro histórico de Évora como Património da Humanidade, pela Unesco, o escultor João Cutileiro decidiu doar ao Estado (a Évora) a parte disponível do seu património pessoal, constituído pela casa onde vive e trabalha, bem como o respetivo recheio, que compreende um conjunto muito significativo de obras de escultura, desenho e fotografia, a sua biblioteca, documentação variada e os seus instrumentos de trabalho, para que aquele espaço seja transformado num espaço com fins culturais e académicos.

 

A futura Casa/Atelier João Cutileiro, que será gerida pela Câmara Municipal, Universidade, de Évora, e Direção Regional de Cultura do Alentejo abrirá as portas para a produção artística, nomeadamente para o estudo e formação na área da escultura em pedra, onde se incluem atividades relacionadas com a realização de exposições, residências artísticas, visita e fruição pública.

 

Para o Presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Pinto de Sá, esta oferta é magnífica, não só para Évora, mas também para o país. "A abertura das portas da casa do escultor João Cutileiro permitirá dar a conhecer um homem e um artista que teve a capacidade de romper fronteiras, criar coisas novas e de, durante o fascismo, essa época cinzenta das nossas vidas, protagonizar uma rutura importantíssima na cultura".

 

Para o município de Évora "é uma honra poder receber este espólio e poder trabalhar com o João Cutileiro para que as futuras gerações possam usufruir deste património fabuloso".

 

O artista

 

João Cutileiro com 78 anos, nasceu em Lisboa, mas escolheu, em 1985, Évora e o Alentejo para viver e trabalhar. Évora é também a cidade onde está exposta a maior parte da sua obra.

 

Após ter estudado na Slade School of Art, em Londres, por indicação de Paula Rêgo, regressou a Portugal na década de 1960 e tornou-se num nome incontornável da estética da estatuária em Portugal com a sua forma inovadora e experimentalista de ver a arte. Recorrendo a temas como o "intimismo", o "erotismo" e o "amor", as obras do Mestre Cutileiro fazem parte de várias coleções públicas e privadas, quer em Portugal, quer no estrangeiro.

 

Há dois anos contactou a Direção Regional de Cultura do Alentejo, a Universidade de Évora e a Câmara Municipal de Évora, manifestando o seu interesse em doar à cidade parte do seu património pessoal, localizado na casa onde vive na Estrada de Viana.

 

No final da cerimónia de assinatura da Carta Compromisso, no âmbito da constituição da Casa/Atelier João Cutileiro – Évora, na presença do Ministro da Cultura, João Soares, o artista manifestava a sua satisfação por saber que o seu espólio iria ser organizado e a sua casa "arrumada. Aquela casa tem espaço apenas para metade do que está lá dentro e agora, com a parceria destas três instituições, estão reunidas as condições para tornar aquele espaço visitável, aprazível e até habitação para jovens escultores que ali queiram beneficiar as instalações".

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