Chafariz da Praça do Giraldo

​​O chafariz da actual Praça do Giraldo, conhecida como Terreiro ou Praça de Alconchel nos séculos XIII e XIV e simplesmente Praça Grande entre os séculos XV e XIX, veio suceder a um outro aí construído para marcar a conclusão da obra do Aqueduto da Prata, em 1537, que terminava neste local. O primeiro chafariz seria certamente uma obra digna da cidade, sabendo-se que era ornamentado com leões em mármore, e se encostava a um arco de triunfo romano então erguido na praça. A sua demolição teve como causa única a vontade do Cardeal Infante D. Henrique em desimpedir o espaço da praça e a visão da novíssima Igreja de Santo Antão, destinada a albergar a importante colegiada de que este, como Arcebispo de Évora, era por inerência o prior. Apeado o arco, as estruturas que restaram foram recolhidas no Colégio do Espírito Santo da cidade, onde quer a tradição que ainda se encontrem algumas colunas. O novo chafariz, inserido no plano henriquino de modernização do centro da cidade, e em especial das anteriores estruturas de abastecimento de água mandadas construir por D. João III, foi construído em 1571 pelo arquitecto Afonso Álvares, mestre de obras do Infante D. Henrique. Todo construído em mármore branco, possui planta circular, dividida em embasamento, fuste, taça e arca em forma de píxide, com um remate pinacular a encimar o conjunto. Como elementos decorativos destacam-se oito mascarões a rematar as bicas, de onde a água corre para a taça. O patrocínio régio da obra, realizada no reinado de D. Sebastião, é marcado por uma coroa com cartela na arca, alusiva a este monarca, e completada com a inscrição comemorativa SEBAS/ TIANO LVSIT REGI/ PIO FE / LICIS/ VICTO/ RIA.

Com a sua localização privilegiada no contexto urbano d​a cidade, diante da Igreja de Santo Antão e na mesma praça onde se realizava, pelo menos entre os séculos XV e XIX, um mercado diário, uma Feira Anual e as corridas de touros da cidade, o Chafariz da Praça do Giraldo constituiu ao longo dos séculos uma das mais importantes estruturas de abastecimento de água à população. Para além do seu carácter utilitário, a evidente monumentalidade do chafariz fez com que este se instituísse mesmo como um símbolo de Évora ao longo dos tempos, e sobretudo como marca da renovação urbanística planeada e levada a cabo pelo Cardeal Infante D. Henrique. 
Sílvia Leite / DIDA - IGESPAR, IP / 2011

Praça do Giraldo

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