Palácio dos antigos Condes de Basto

​A fundação do Palácio dos Condes de Basto, residência senhorial de primeira importância no panorama nacional, data ainda da época muçulmana, tendo feito parte integrante da alcáçova eborense, em cuja cerca romana e medieval o imóvel ainda se encontra parcialmente integrado. Tal é a sua ligação à história de Évora que Espanca lhe chama mesmo "o edifício palaciano mais carregado de tradições" da cidade (ESPANCA, Túlio, 1993, p. 22). 
O edifício árabe foi entregue à Ordem de Calatrava, após a conquista cristã da cidade, e mais tarde veio a ser residência habitual de D. Fernando, que o beneficiou com obras diversas. Funcionando como paço real, foi quase destruído na sequência dos confrontos dinásticos de 1383-1385, por ser o capitão-mor de Évora um partidário de D. Leonor Teles; resolvida a crise, é o condestável D. Nuno Álvares Pereira quem o adopta como morada durante cerca de 25 anos. Mais tarde, D. Afonso V doa-o ao capitão-mor D. Diogo de Castro, de cuja família descende D. Fernando, 1º conde de Basto, pai de D. Diogo, vice-rei de Portugal durante a governação espanhola, sob o reinado de Filipe III. Durante todo este período, e até finais do século XIX, a propriedade pertenceu à família dos Castro. Aí pernoitaram D. João II, D. Manuel, D. João III e D. Sebastião, este durante o período em que estudou na Universidade de Évora; depois, quando a ligação dos condes de Basto à coroa castelhana e a sua retirada para Espanha lhes custou a expropriação do palácio, este veio a ser morada ocasional de D. João IV, D. João V, D. Frei Domingos de Gusmão e D. Catarina de Bragança, o primeiro e a última em breves estadias. Por fim foi vendido ao lavrador Vicente Rodrigues Ruivo, e em 1958 ao Engº Eugénio de Almeida, conde de Vilalva, que reabilitou o conjunto arquitectónico já muito degradado, e aí sediou a Fundação Eugénio de Almeida. 
Em termos arquitectónicos, o palácio é composto por uma série de volumes articulados de carácter monumental, com sucessão de pátios e dependências menores; o corpo principal, voltado para o Pátio de São Miguel, possui uma elegante loggia renascentista sobre uma arcada gótica, com abóbada nervurada, e é percorrida ao alto por um esgrafitado quinhentista em banda. Em todo o conjunto encontram-se vários vestígios de estruturas góticas, embora nele brilhem sobretudo as cantarias quinhentistas, as janelas geminadas de arco de ferradura e estrutura de tijolo, as galerias e colunatas renascentistas, a fonte e casa de fresco do jardim, os torreões cilíndricos "tão característicos da arquitectura alentejana" (AZEVEDO, Carlos de, 1969, p.115). É clara a influência italiana do conjunto, cujo protótipo mais marcante seria a casa senhorial da Sempre Noiva, em Arraiolos. 
Mas o interior dos edifícios não é de menor valor e interesse: quase todas as salas estão ricamente decoradas, sendo três delas (no piso térreo) cobertas por abóbadas pintadas a fresco, pelo mestre Francisco de Campos, que chegou a assinar e datar uma delas, onde se pode ler F.O. de C.A.P.V.S., 1578 (ESPANCA, Túlio, 1966). Trata-se de um conjunto decorativo de inspiração mitológica e gosto italianizante, ao sabor da época, com figuras avulsas e profusão de flores e frutos, pinturas de ornatos, alegorias triunfais e composições inspiradas nas Metamorfoses de Ovídeo, segundo estampas maneiristas flamengas (CAETANO, J. Oliveira, e CARVALHO, J. A. Seabra, 1990), ou celebrando a conquista de Túnis, em 1535, onde tomou parte o 2º conde de Basto. Estas pinturas constituem um dos mais importantes conjuntos decorativos do país, raro não apenas pela qualidade da execução, mas igualmente pela grandiosidade do plano, pela temática profana apenas possível numa encomenda particular e consideravelmente erudita, e pela sensualidade e paganismo de alguns motivos. SML

Pátio de S. Miguel

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