Pátio de S. Miguel

Paço de S. Miguel e Arquivo e Biblioteca Eugénio de Almeida

Imagem do Páteo de S. Miguel
Pátio de São Miguel
O Páteo de São Miguel encontra-se localizado num dos pontos mais nobres e estratégicos da cidade de Évora e, por essa razão, foi objeto de diversas ocupações ao longo da sua história.
A primeira ocupação deste espaço teve essencialmente uma finalidade defensiva, determinada pela sua própria localização no ponto mais elevado da cidade que dificultava não só o acesso das forças inimigas em caso de ataque, como permitia dominar uma vasta área da planície circundante e manter contacto visual com outras fortificações. O espaço ocupado pelo Páteo de São Miguel constituía um ponto nevrálgico da estrutura defensiva da cidade, pelo que foi Alcácer Mourisco e parte integrante do Castelo Velho de Évora.

Paço de S. Miguel
Embora a origem do Paço de São Miguel remonte à Idade Média, da edificação desse período poucos vestígios se conservam em resultado da destruição de que o espaço foi alvo na sequência dos confrontos ocorridos durante a crise de sucessão ao trono de 1383-85 entre os partidários de D. Leonor Teles e os de D. João, Mestre de Avis, futuro rei de Portugal.
A existência deste edifício tal como hoje o conhecemos, em termos patrimoniais e arquitetónicos, está associada à história de duas famílias cuja presença no Páteo de São Miguel se encontra separada por cerca de cinco séculos: os Condes de Basto (ou Castro das Treze Arruelas) e a família Eugénio de Almeida.

Arquivo e Biblioteca Eugénio de Almeida
Detentora de uma das maiores fortunas em Portugal na segunda metade do século XIX, a família do Instituidor da Fundação Eugénio de Almeida alicerçou uma parte do seu sucesso na implementação de um rigoroso sistema de informação graças ao qual foi possível assegurar ao longo de cinco gerações não só a gestão da diversidade e volume de negócios em que os seus membros participaram, mas também a administração de um vasto património imobiliário, grande parte dele fundiário e disperso pelo país.
Mantida na sua íntegra, a documentação do arquivo permite hoje reconstituir o percurso ascensional de uma família burguesa no Portugal de oitocentos, evidenciando não só as que foram as suas opções ao nível das atividades económicas, mas também a intervenção pública que os seus membros protagonizaram como deputados, Pares do Reino, Conselheiros de Estado ou Provedores da Casa Pia de Lisboa, para além de abrir uma janela para o universo quotidiano das vivências familiares e do estilo de vida da elite deste período.
Refletindo as atividades e a história da família Eugénio de Almeida desde o final do século XVIII até à atualidade, o âmbito cronológico do arquivo remonta, no entanto, ao século XIV como resultado da incorporação de documentação, em especial títulos de propriedade, provenientes dos cartórios de Casas Senhoriais a quem ao longo da segunda metade do século XIX foram adquiridos bens de raiz que contribuíram para a construção do “império” Eugénio de Almeida.
A documentação do arquivo permite igualmente testemunhar a obra filantrópica e mecenática desenvolvida pelo Instituidor da Fundação, Vasco Maria Eugénio de Almeida (1913-1975) sobretudo entre 1940 e 1975. Desde logo as ações empreendidas ao nível da salvaguarda do património arquitetónico, como foram os casos do Convento da Cartuxa de Santa Maria Scala Coeli, do antigo Palácio da Inquisição ou do complexo de edifícios do Páteo de São Miguel, edifícios que resgatou da ruína e aos quais conferiu um novo sentido no contexto do desenvolvimento cultural e social da cidade de Évora.
No arquivo encontra-se também o registo da intervenção de Vasco Maria Eugénio de Almeida nos domínios social, educativo e espiritual, em que se destaca o avultado donativo para a construção do Hospital do Patrocínio (1957), a cedência de terrenos para a construção do Aeródromo de Évora e de bairros sociais, a partição da Herdade do Álamo da Horta pelos trabalhadores assalariados da povoação de São Manços (1958) ou a reativação do Convento da Cartuxa (1960), para além, naturalmente, da criação da Fundação Eugénio de Almeida em 1963.
No sistema de informação da Casa Eugénio de Almeida a biblioteca ocupava também um lugar central.
Expressão da natureza pragmática de uma família de empreendedores como foram os Eugénio de Almeida, o fundo bibliográfico reunido pelas sucessivas gerações reveste-se de um caráter instrumental no sentido em que constitui um repositório de conhecimento e de informação sistematicamente consultada quer para instruir as tomadas de decisão, quer para servir de apoio ao estudo de temáticas associadas às suas atividades económicas ou à intervenção pública que protagonizaram.
Uma prova da importância da biblioteca enquanto fonte de informação e de conhecimento foi a contratação, na década de 1860, de Francisco Casassa, funcionário da Biblioteca Nacional, para proceder à organização e catalogação dos milhares de obras que constituíam o acervo reunido por José Maria Eugénio de Almeida. O resultado do encargo foi a produção de um Cathalogo Methodico que passou a constituir uma ferramenta de pesquisa essencial para assegurar o acesso rápido às obras ou à informação que era necessário consultar.
Entre as obras mencionadas neste instrumento de pesquisa, a mais antiga foi impressa em 1498 e compila todas as cartas de privilégio papais concedidas à Ordem de Cister. No entanto, a grande maioria do fundo bibliográfico da família Eugénio de Almeida é composta por livro antigo e por obras publicadas nos séculos XIX e XX nas mais diversas áreas de conhecimento - Ciências eclesiásticas, Ciências morais e políticas, Direito, Ciências naturais e exatas, Belas-artes, artes e ofícios, Literatura, História, Agricultura, Educação, etc.  
Para além desta documentação, bem como da entretanto produzida e acumulada pela Fundação desde a sua criação em 1963, o Arquivo e Biblioteca Eugénio de Almeida tem também à sua guarda a antiga biblioteca do Instituto Superior Economico e Social de Évora (ISESE), estabelecimento de ensino criado por Vasco Maria Eugénio de Almeida em articulação com a Companhia de Jesus, que representou o regresso dos estudos superiores à cidade, cerca de 200 anos após a extinção da Universidade de Évora.
Pela natureza da documentação reunida no Arquivo e Biblioteca Eugénio de Almeida, a consulta do acervo reveste-se de particular interesse para a realização de investigações em domínios tão variados da história do país como a história económica e empresarial, a história social e das elites, a história da agricultura, ou ainda a história da arte e do ensino, entre outros.

Páteo de S. Miguel, Largo dos Colegiais 1, 7000-812 Évora, Portugal

Informações Adicionais

Telefone: +351 266 748 300

Paço de S. Miguel
Horário de Funcionamento:
  • Sexta-feira, Sábado e Domingo entre as 15h00 e as 18h00, incluindo visita à Coleção de Carruagens e Arquivo e Biblioteca Eugénio de Almeida.
  • Visitas Guiadas: Com marcação prévia e um mínimo de 5 pessoas de Terça-feira a Domingo entre as 10h00 e as 18h00. A visita integra o Arquivo e Biblioteca Eugénio de Almeida.
Preço do Bilhete: 2€
Preço do Bilhete das Visitas Guiadas: 3,50€
Entrada Gratuita:
  • Menores de 12 anos;
  • Membros ICOM, ICOMOS, APOM, AICA;
  • ​Imprensa;
  • Pessoas com deficiência ou mobilidade condicionada e acompanhantes.
​Desconto (50%):
  • Maiores de 65 anos;
  • Estudantes;
  • Cartão Jovem;
  • Grupos organizados de entidades de Solidariedade Social.
Arquivo e Biblioteca Eugénio de Almeida (ABEA)
Horário:
  • Para Consulta de Documentação, de Segunda-feira a Sexta-feira, das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30, mediante marcação prévia.
Visitas:
  • São possíveis apenas visitas guiadas mediante marcação prévia e integradas na visita ao Paço de São Miguel.
Preço do Bilhete das visitas guiadas: 3,50€