A presente obra intitulada Memoria Descriptiva do Assalto, Entrada e Saque da Cidade de Evora pelos Franceses, em 1808 da autoria de Frei Manuel do Cenáculo Villas Boas, foi impressa por vontade do município em 1887, em quatro mil exemplares, com prólogo escrito por Antonio Francisco Barata, na época Vereador do Pelouro da Instrução.
A 30 de Julho desse ano a Memória foi distribuída pela população, dia em que o município fez uma festa para inaugurar uma biblioteca municipal e duas lápides comemorativas, colocadas nas paredes do edifício dos Paços do Concelho, em homenagem ao autor da obra.
Frei Manuel do Cenáculo Villas Boas teve um papel muito importante na área da cultura em Évora, deixando à posteridade um riquíssimo espólio documental à biblioteca pública e conseguiu que o terrível general Loison, conhecido por “Maneta” não destruísse por completo a cidade, aquando da invasão francesa.
Na época, vários exemplares desta publicação foram mesmo enviados ao Ministério do Reino e a algumas figuras ilustres na área da cultura.
Adornada com o retrato de Frei Manuel do Cenáculo Villas Boas, a Memória é composta pela narrativa do próprio arcebispo, sendo considerada um relato importante do que se passou naqueles dias fatídicos.
A obra é um testemunho da entrada das tropas francesas à cidade de Évora, do saque que se realizou por toda a cidade, da recepção do arcebispo ao general Loison, da sujeição que o arcebispo passou ao ter que ser governador da cidade, do perdão do general a duzentos prisioneiros, das injúrias ao arcebispo por uma guerrilha espanhola que o conduziu e reteve em Beja e, por fim, da sua entrada gloriosa em Évora, a 17 de Outubro de 1808.

Dentro da mesma temática pode ainda consultar na página da cultura o texto intitulado O Bicentenário das Invasões Francesas.