A cidade de Évora é indissociável de uma essência histórica. Plasmada nos seus monumentos, nas suas ruas tortuosas, nos seus largos e solares, nos jardins particulares e nos vestígios arqueológicos, é notória a associação entre antiguidade e a vivência contemporânea do actual Centro Histórico.
Como um conjunto urbano de excepção em contexto português foi, ao longo de todo o século XIX e XX, alvo de sucessivos estudos e investigações, que visaram desvendar um pouco mais acerca de várias problemáticas que rodeiam os seus antigos tecidos urbanos.
De longínqua fundação romana, o casco antigo da cidade assume-se como um imenso corpus teórico, sobre o qual imperam as exigências de análises sistemáticas acerca da sua evolução, de forma a dar resposta às sucessivas interrogações que, ainda hoje, subsistem.
Nos tempos recentes, contudo, verificou-se uma relativa estagnação acerca das leituras em torno do seu espaço urbano. O vazio analítico que ficou com a morte de Túlio Espanca perpetuou uma dificuldade em estabelecer uma sistemática de investigação. As referências à cidade começaram a ser pronunciadas numa óptica da leitura do território, obedecendo a novos programas de análise histórica, merecendo Évora um lugar de destaque em termos da riqueza pré e proto-histórica da sua região envolvente. Queremos, posto isto, relevar a ausência de um estudo de fundo acerca do percurso urbano do Centro Histórico, em confronto com a evolução do território, trespassando os vários momentos chave da sua história.
Apesar dos esforços de investigadores de inegável valor que têm vindo, paulatinamente, a desenvolver o seu trabalho centrados em áreas bastante específicas das particularidades do casco antigo, existe uma clara inexistência de uma visão de conjunto acerca da forma como os sucessivos tecidos se foram implantando, modificando e moldando o singular facies do espaço classificado Património Mundial da Humanidade em 1986.
Há cerca de três anos, o Departamento do Centro Histórico, Património e Cultura iniciou um projecto de compendiar os dados históricos – documentais e arqueológicos – de forma a tentar colmatar tal lacuna. Inserido numa perspectiva de auxiliar à gestão do património existente, visa os objectivos paralelos de dotar a cidade de Évora de um instrumento essencial à continuidade da pesquisa histórica, bem como conceder a nota de progressão na pesquisa arqueológica no espaço urbano.
Procurando adequar a sistematização dos dados históricos às novas tecnologias, desenvolver-se-á uma componente cartográfica, geo-referenciada, sem precedentes na avaliação do núcleo urbano, convocando para o trabalho sistemas de informação geográfica e mecanismos de reconstituição digital, que visam “recuperar”, literalmente, a imagem das antigas cidades antes de Évora.
Do ponto de vista metodológico, adoptou-se uma visão de análise dividida em 5 grandes períodos históricos, sobre os quais se tecerão leituras acerca do núcleo urbano e da forma como este se manteve dependente do seu território circundante.
Neste momento está já concluída a recolha dos dados correspondentes aos 2 primeiros volumes, e finalizada a avaliação da génese de Évora como pólo urbano, ou seja, a sua fundação romana. Os títulos dos 5 volumes são, respectivamente:
1. VOL. I: Ebora Liberalitas Iulia. Séc. I a.C. – IV d.C.
2. VOL. II: De Elbora a Yabura. Do Séc. IV d.C. – 1165
3. VOL. III: De Giraldo sem-Pavor a D. João II. 1166 – 1495
4. VOL. IV: A Segunda Cidade do Reino. 1495 – 1580
5. VOL. V: Do Reinado Filipino às Reformas Liberais. 1580 – 1850
Documentos para Download (reprodução autorizada mediante contacto com o DCHPC)
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Ebora Liberalitas Iulia. Séc I.jpg
Ebora Liberalitas Iulia. Séc IV.jpg
Yabura. Séc X.jpg
Évora. 1166-1295.jpg
Évora. 1300-1350.jpg