A cidade de Évora situa-se no coração da peneplanície alentejana, na confluência de três importantes bacias hidrográficas – Tejo, Guadiana e Sado, ponto de cruzamento milenar de vias e rotas comerciais que ligavam e ligam, o litoral ao interior peninsular, o norte ao sul.
A posição geográfica privilegiada pode explicar, em parte, a importância que a cidade adquiriu desde a antiguidade, centro político e social de todas as civilizações que marcaram o actual território português.
Como pólo urbano, Évora possui a riqueza de dois mil anos de história. Independentemente dos vestígios ainda presentes, são notórias as reminiscências da multiplicidade de gerações que a moldaram como cidade. Da presença romana herdou um sistema viário e uma malha urbana, ainda verificável no cadastro actual. A imponência da antiga urbe denota-se pela monumentalidade do Templo e riqueza das Termas, vestígios sintomáticos de uma cidade de singular grandeza.
O período suevo-visigótico, por outro lado, assinalou uma época de retracção urbana, e de consequente desenvolvimento do meio rural, seguindo-se-lhe uma ocupação muçulmana de particular importância, na evolução de Évora. Como cidade comercial e encruzilhada das principais vias do Gharb (situação que, diga-se, sempre deteve ao longo da História), irá crescer à sombra das muralhas tardo-romanas, estabelecendo o mote para um notório desenvolvimento no pós-Reconquista. Lamentavelmente, não subsistem vestígios evidentes de uma sonante presença islâmica, talvez somente denotada na sensação que nos deixam as ruas tortuosas da parte mais antiga do casco histórico. 
Durante a Baixa Idade Média, Évora irá granjear uma posição de destaque no seio do Reino Português. A Sé Catedral, edifício de transição estética e arquitectónica, denotada pelo seu hibridismo, coroa uma cidade que irá crescer lenta, mas de forma contundente. Construída uma segunda cintura de muralhas (a chamada Cerca Nova) no século XIV, Évora granjeia paulatinamente o estatuto de «segunda cidade do reino», tendo mesmo funcionado, em termos institucionais, como capital, entre 1532 e 1537.
Com a conquista de Giraldo sem-Pavor e a subsequente estabilização fronteiriça, Évora irá iniciar um longo processo de crescimento urbano, apoiado num Cabido poderoso e numa herança antiga, em termos de riqueza urbana. Em 1185 é iniciada a construção da Sé Catedral, que um século mais tarde “sofre” um processo de reconstrução, tendo ficado eternamente ligada ao nome de D. Soeiro Mendes. Arrastando-se as obras por cerca de 70 anos, o actual monumento simboliza um período de transição cultural, social e artístico em Portugal. É definido como o primeiro grande estaleiro do gótico português antes da Batalha, ostentando um notório hibridismo morfológico na sua estrutura, realçado já no século XVIII quando é terminada a magnífica capela-mor de Ludovice (substituindo a antiga cabeceira medieval).
Logo no século XIII, os dois grandes mosteiros das ordens mendicantes estabelecem novos pólos de desenvolvimento, e novos espaços urbanos começam a ser delineados: Chãos Domingueiros; Outeiro da Vila Nova; Ferragial dos Freires; Cogullos…são áreas hoje ainda perceptíveis no casco antigo, mas cuja antiguidade é relativamente desconhecida. A linearidade e equilíbrio dos quarteirões actuais, reminiscentes dos de origem medieval, fazem mesmo supor um programa de planeamento para aquelas zonas, onde se confrontariam pré-existências viárias com um desejo central de ordenamento do espaço.
Com os alvores da segunda metade do séc. XIV, o prestígio de Évora irá crescer. Cidade de topo do reino, onde se situariam populosas comunas judaicas e mouras; poderosas famílias nobres; bispos com assento na corte e conselheiros do rei, bem como um tecido urbano revelador de uma importância incontornável.
A magnificência dos seus monumentos atesta, ainda hoje, a presença da corte em muitas ocasiões. Veja-se o Real Convento de S. Francisco (iniciado em 1250 e remodelado no primeiro quartel do séc. XVI), do qual subsiste a magnifica Igreja, que possui ainda a famosa Capela dos Ossos; nas imediações erguia-se o Palácio Real, do qual resta a erroneamente designada Galeria das Damas.
A Universidade (1556) assinala o espírito empreendedor do Cardeal D. Henrique, bem como a dimensão cultural da cidade na época de Quinhentos; a Praça do Giraldo, centro monumental e pólo irradiador de uma organização urbana que se manteve incólume até hoje, controlada pela imponência da Igreja de Santo Antão. Próxima do Largo, temos a Igreja e Convento da Graça, reflexo de um Renascimento também dignificado na cidade.
Nas crónicas ergue-se contudo alta a referência ao “restauro” do Aqueduto Sertoriano, que deu lugar a um dos ex-libris da cidade: o Aqueduto da Água da Prata, uma notável obra de engenharia e arquitectura, que deteve um singular impacto na vivência e própria organização urbana da cidade.
Com a consequente perda de importância sócio-política durante o domínio filipino e no pós-Restauração encetou-se, nos séculos seguintes, uma reforma sentida, essencialmente, no interior dos vários edifícios. A pequena Igreja da Misericórdia alberga um conjunto azulejar de inegável qualidade, pautado por um notável trabalho em talha dourada.
Já num período contemporâneo, é de destacar a construção do Teatro Municipal Garcia de Resende, bem como do Palácio de Justiça, sob os terrenos de dois antigos conventos.
O século XX irá trazer, acima de tudo, novas funcionalidades e desafrontamento de espaços, de forma a procurar adequar um tecido antigo a novas necessidades. Os “restauros” do Estado Novo vieram a motivar várias destruições, necessariamente encaradas aos olhos de um outro contexto cultural. Já recentemente, novas urbanizações intra-muros foram planeadas e construídas. Antigos edifícios transfiguram-se para receber novas funções. Todos estes aspectos assumem o seu papel de “sinal do tempo”. As “novas” áreas fazem que Évora se molda aos olhos do visitante. A conjugação de várias épocas, em sonante harmonia, configura uma particular fisionomia ao Centro Histórico, que muito contribuiu para o granjear do seu estatuto como Património da Humanidade. Cabe a todos a preservação e consequente aumento desse mesmo património.
