26 setembro 2016

Memória descritiva do projeto de alpendre para Matadouro de Évora em 1899

Documento em destaque no mês de setembro de 2016

O Matadouro de Évora, um dos “currais do concelho”, situado no extremo da zona oriental da cidade, junto ao “bairro do Farrobo”, em contacto com a zona extramuros, integrava os terrenos do Baluarte de Nossa Senhora de Machede, onde se situava uma das portas da cidade. Aqui os animais eram aparcados e abatidos, seguindo depois para os açougues instalados no Templo Romano.
Algumas vozes se levantaram contra a instalação do Matadouro nesse local mas, segundo estudo feito pela edilidade eborense, em 1863, este seria “um local sadio”.
Durante a sua existência o espaço foi sujeito a algumas transformações devido à introdução de novas ideias e conceitos higienistas, como por exemplo a proibição de abate de gado suíno na rua, sendo então o “curral” objeto de ponderação devido ao aumento do volume de trabalho e adaptação às novas exigências. 
Assim, em 1899, construiu-se um alpendre para matança de gado suíno, em 1904, novo alpendre e em 1920 amplia-se a própria área do matadouro. 
Posteriormente, nos anos 40 edificou-se um barracão para armazém de material, ampliou-se a casa do peso e instalou-se a caldeira elétrica. Por fim, em 1952, criam-se novas instalações sanitárias. Para além destas intervenções outras tiveram lugar no sentido de melhorar as condições de trabalho, de higiene e de tratamento das carnes.
No início do século XX, toda a zona adjacente deste espaço foi também alvo de alterações profundas com a construção de bairros, novas vias de acesso, espaços comerciais, oficinas e escolas.
Com o passar do tempo a evolução dos problemas do abastecimento e das políticas de intervenção no mercado da carne começaram a justificar uma revisão das estruturas do abate e da circulação das carnes e seus produtos. Assim, em Novembro de 1974, com a publicação do D. L. 661/74, os matadouros municipais passaram para a dependência da Junta Nacional dos Produtos Pecuários, (artº2º, nº1) bem como os seus edifícios, equipamentos mecânicos, instalações frigoríficas anexas, móveis, utensílios e viaturas afetas à distribuição da carne, subprodutos e despojos.
Este processo foi longo, mantendo-se o Matadouro em funcionamento até à primeira metade dos anos oitenta do século XX.