10 julho 2014

Feira de S. João

Exposição virtual em destaque "FEIRA DE S. JOÃO"

​​​​O dia de S. João sempre foi especial para os lavradores alentejanos, especialmente para os que se dedicavam à criação e negócio de gados.

A 24 de Junho de 1569, realizou-se a primeira feira de S. João em Évora, no Rossio de S. Brás.
A feira desempenhava uma função muito importante no desenvolvimento das povoações. Évora teve, durante vários séculos, a Feira maior e mais importante ao Sul do Tejo. Num Alentejo pobre e abandonado as feiras eram também causa ​para o seu desenvolvimento, pois era nos mercados e feiras que se marcavam os preços dos porcos que “iam correr” em Beja, Estremoz e outras localidades. Aqui se fixavam os preços dos salários de muitos trabalhadores nos “serviços da acêfa”, da cortiça e dos desbastes do “alvoredo”​.

Apresentamos em seguida um alvará assinado pelo Cardeal Infante D. Henrique, datado de 1574, no qual se regulamenta a Feira de S. João:

(documento disponível em maior formato nos documentos associados)

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1574, Lisboa, Novembro 7
Fundo CME, depositado no Arquivo Distrital de Évora, Livro 2º de Registos da Câmara, nº 136, pg. 77

TRANSCRIÇÃO:
"Eu ElRey faço saber aos que este Alvará virem que por alguns justos / respeitos que me  a isso movem hey por bem e me praz que nos tres / dias em que cada ano se faz a ffeira ffranca no rossio de São Braz da cidade d’Evora que são o dia e bespora de São João e outro loguo seguinte dentro na dita cidade nem em outra alguma parte / fora dos limites que estão demarcados no dito resio pera a dita feira senão venda nem compre mercadoria alguã nem outra ne/nhuã cousa por mercadores nem officias da cidade ne[m] de ffora dela e todas as mercadorias que de fora vierem / para a dita ffeira se descarreguarão nos limites della e não / em outra alguã parte e quallquer p[esso]a que o contrario fizer / paguara dez cruzados e da cadea ametade pera as obras do cano da aguoa da prata e a outra ametade pera quem acusar / e mando ao Corregedor da comarqua e correição da dita ci / dade e ao Juiz de ffora della e a quaesquer outras Justiças / e officiaes a que o conhecimento disto pertencer que / cumprão guoardem e ffação inteiramente comprir e / guardar este Alvará como se nele contem sem embarguo de quaesquer minhas provisões e sentenças da relação q[ue] /  em contrario aja o quall se tresladara no L[ivr]o da dita Co / reição e se publicara pollos luguares p[ubli]cos e acustumados / da dita cidade  pera que a todos seja notoreo o que nele se / contem e o dito corregedor tera especial cuidade de se a / char na dita ffeira no tempo dela e este Alvara me praz / que valha e tenha fforça e viguor como se fose carta ffeita e[m] meu nome por mim assinada e pasada por minha Cancellaria e posto que por ella  não seja pasado sem embarguo das ordenações  em contrario João da Costa o fez em Lisboa a sete de Novembro de mil quinhentos e setenta e quatro. Jorge da Costa o fez escrever//"
O Cardeal Infante

No “Regimento das Fontes, Aqueduto e Fábrica da Água da Prata”, encontra-se anexo o “Regimento da Feira de S. João para o Rendeiro della Cobrar os terradegos que lhe pertencerem”, datado de 2 de Junho de 1700, no qual se fornecem interessantes e minuciosas informações para o conhecimento da Feira de S. João referentes à forma como era organizada, os mercadores que a ela acorriam, os produtos que nela se negociavam (panos de linho, adubos, púcaros de louça, etc.) e quanto se pagava pela ocupação dos terrenos e aluguer das tendas.

(documento disponível em maior formato nos documentos associados)

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A Feira de S. João de Évora é ainda hoje a maior feira do Alentejo, não pelas transações que antes se efetuavam, mas pelos milhares de pessoas que ainda continuam a encher o Rossio de S. Brás.
Assim, o Arquivo Municipal vem assinalar a sua realização com uma mostra de cartazes de várias feiras realizadas ao longo do último século. 

(cartazes disponíveis em maior formato nos documentos associados)

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